Os 3 passos dos Primeiros Socorros Psicológicos ajudam-no a apoiar alguém que está em sofrimento, sobrecarregado ou afetado por uma crise.
O modelo é simples: Observar, Ouvir e Encaminhar.
Tópicos sobre os passos:
- Passos dos Primeiros Socorros Psicológicos
- Preparação
- Passo 1: Observar
- Passo 2: Ouvir
- Passo 3: Encaminhar
- Quem Precisa de Mais do que PSP?
- Lista de Verificação Rápida
- Resumo
Os 3 Passos dos Primeiros Socorros Psicológicos
Os Primeiros Socorros Psicológicos (PSP) não são terapia, aconselhamento, diagnóstico nem debriefing psicológico. São uma assistência humana, de apoio e prática a alguém que pode precisar de ajuda.
- Proteger a segurança e a dignidade
- Não forçar a ajuda sobre ninguém
- Não pressionar as pessoas a contar a sua história
- Centrar-se primeiro nas necessidades imediatas
- Ajudar as pessoas a recuperar a calma, a ligação e o controlo
- Saber quando alguém precisa de ajuda profissional ou de emergência urgente
Preparação (antes dos primeiros socorros psicológicos)
Antes de abordar alguém, pare e prepare-se. Mesmo alguns segundos de preparação podem evitar danos e tornar a sua ajuda mais útil.
Compreender o que aconteceu
- O que aconteceu?
- Onde aconteceu?
- Quando aconteceu?
- Quem foi afetado?
- A situação ainda está a mudar?
Compreender que apoio está disponível
- Quem já está a ajudar?
- Estão disponíveis serviços de emergência, pessoal escolar, responsáveis no local de trabalho, familiares, vizinhos ou apoio comunitário?
- Onde podem as pessoas aceder a alimentação, água, abrigo, assistência médica, privacidade ou apoio emocional?
- Quem pode ajudar com crianças, adultos mais velhos, pessoas com deficiência ou qualquer pessoa com maior risco?
Verificar a segurança
- Há perigo contínuo?
- Pode abordar sem pôr em risco a si próprio ou a outros?
- Há locais que deve evitar?
- Precisa de ajuda de alguém com autoridade, formação médica ou responsabilidade de segurança?
Se não for seguro, não avance. Peça ajuda, mantenha distância ou comunique a partir de um local mais seguro. Os primeiros socorros psicológicos não devem criar outra emergência.
Passo 1: Observar
Observar significa avaliar rapidamente a situação antes de agir. As situações de crise podem mudar rapidamente, e o que esperava pode não ser o que encontra.
Observar em busca de segurança
- A pessoa está fisicamente segura?
- Está fisicamente seguro?
- Há trânsito, violência, fogo, edifícios instáveis, armas, intoxicação, pressão de multidão ou outro risco?
- A pessoa precisa de se deslocar para um local mais seguro?
- Há crianças ou pessoas vulneráveis expostas a perigo, atenção mediática ou cenas assustadoras?
Observar em busca de necessidades básicas urgentes
- Lesões graves ou necessidade médica
- Alimentação, água, calor, abrigo, vestuário, medicação ou apoio de mobilidade
- Uma criança separada dos cuidadores
- Alguém incapaz de cuidar de si próprio ou dos seus filhos
- Alguém que necessita de proteção contra danos, exploração, discriminação ou violência
Observar sinais de sofrimento grave
- Pânico, tremores, choro intenso, medo, raiva, dormência ou isolamento
- Confusão ou desorientação
- Não falar ou não responder
- Estar imóvel, paralisado ou incapaz de tomar decisões simples
- Risco de autolesão ou dano a terceiros
A maioria das pessoas em sofrimento recupera melhor quando as necessidades básicas são satisfeitas e têm apoio calmo. Sofrimento grave ou prolongado, perigo para si próprio ou para outros, lesões graves, ou incapacidade de funcionar significa que a pessoa pode precisar de mais do que primeiros socorros psicológicos.
Passo 2: Ouvir
Ouvir significa fazer um contacto respeitoso, perguntar o que a pessoa precisa e ajudá-la a sentir-se mais calma. O objetivo não é extrair uma história. O objetivo é apoiar a pessoa no momento.
Aproximar-se com respeito
- Apresentar-se se for apropriado
- Explicar o seu papel de forma simples
- Perguntar se pode ajudar
- Falar com calma
- Manter uma distância respeitosa baseada na idade, cultura, género e na situação
- Não tocar na pessoa a menos que tenha a certeza de que é apropriado
Perguntar sobre necessidades e preocupações
- Perguntar o que precisam agora
- Perguntar com o que estão preocupados
- Perguntar quem querem que seja contactado
- Perguntar o que os ajudaria a sentir-se mais seguros ou calmos
- Não presumir que conhece as suas prioridades
Ouvir sem pressão
- Deixá-los falar se quiserem
- Não os forçar a falar
- Não pedir detalhes perturbadores
- Não interromper nem apressar
- Não julgar a sua reação
- Não lhes dizer como devem sentir-se
Ajudá-los a sentir-se calmos
- Ficar por perto se quiserem apoio
- Usar um tom suave e estável
- Ajudá-los a tomar consciência do local onde estão
- Encorajar a respiração lenta se for útil
- Pedir-lhes que sintam os pés no chão ou que reparem nos objetos à sua volta
- Manter as pessoas muito angustiadas acompanhadas sempre que possível
Coisas úteis a dizer
- “Estou aqui consigo.”
- “De que precisa agora?”
- “Não tem de falar se não quiser.”
- “Vamos focar-nos no que precisa de acontecer a seguir.”
- “Não sei, mas posso tentar descobrir.”
Coisas a evitar dizer
- “Deveria sentir-se com sorte.”
- “Acalme-se.”
- “Vai correr tudo bem.”
- “Diga-me exatamente o que aconteceu.”
- “Sei como se sente.”
- “Pelo menos…”
Passo 3: Encaminhar
Encaminhar significa ajudar a pessoa a ligar-se ao que precisa a seguir. Pode ser ajuda prática, pessoas de confiança, informação precisa, serviços ou apoio profissional urgente.
Encaminhar para necessidades básicas
- Alimentação, água, calor, abrigo, medicação, higiene ou transporte
- Um local mais seguro para sentar ou esperar
- Um adulto responsável para uma criança
- Ajuda médica se necessário
- Próximos passos práticos, não conselhos avassaladores
Encaminhar para informação
- Fornecer apenas informação que sabe que é precisa
- Manter as mensagens simples
- Repetir informação importante se necessário
- Dizer claramente o que não sabe
- Explicar de onde veio a informação
- Dizer quando ou onde podem obter atualizações
Encaminhar para pessoas próximas e apoio social
- Ajudá-los a contactar família, amigos, cuidadores, colegas ou pessoas de confiança
- Manter as famílias juntas sempre que possível
- Não deixar crianças sozinhas
- Ligar pessoas isoladas a apoio seguro
- Encorajar apoio adequado à sua cultura, fé, comunidade ou preferência pessoal
Encaminhar para serviços
- Serviços de emergência
- Cuidados médicos
- Apoio de crise em saúde mental
- Responsáveis de proteção escolar
- Apoio no local de trabalho
- Serviços comunitários locais
- Apoio especializado para crianças, violência doméstica, deficiência, luto ou trauma
O papel do auxiliar não é resolver tudo. O papel é ajudar a pessoa a identificar necessidades urgentes, a dar o próximo passo viável e a recuperar algum sentido de controlo.
Quem Precisa de Mais Apoio?
Algumas pessoas precisam de apoio profissional ou de emergência imediato. Os primeiros socorros psicológicos podem ainda ser de apoio, mas não são suficientes por si sós.
- Pessoas com lesões graves ou com risco de vida
- Pessoas que possam magoar-se a si próprias
- Pessoas que possam magoar outras
- Pessoas tão perturbadas que não conseguem cuidar de si próprias ou dos seus filhos
- Crianças separadas dos cuidadores
- Pessoas em confusão grave, choque ou incapazes de responder
- Pessoas em risco de violência, exploração, abuso ou negligência
Nestes casos, fique com a pessoa se for seguro, obtenha ajuda adequada e não tente gerir a situação sozinho.
Lista de Verificação Rápida de Primeiros Socorros Psicológicos
Antes de ajudar
- Estou seguro?
- Estão seguros?
- O que aconteceu?
- Quem mais pode ajudar?
- Que apoio está disponível?
Observar
- Há perigo?
- Há lesões ou necessidades urgentes?
- Alguém está extremamente perturbado?
- Alguém está vulnerável ou sozinho?
Ouvir
- Aproximar-se com calma
- Perguntar o que precisam
- Ouvir sem pressão
- Ajudá-los a sentir-se calmos
- Não julgar nem forçar
Encaminhar
- Ajudar com necessidades imediatas
- Fornecer informação precisa
- Ligá-los a pessoas de confiança
- Encaminhar para serviços se necessário
- Obter ajuda urgente se houver risco grave
Resumo
Os passos dos primeiros socorros psicológicos são simples mas poderosos: preparar antes de ajudar, observar em busca de segurança e necessidades urgentes, ouvir com respeito e calma, e encaminhar as pessoas para apoio prático. O objetivo não é resolver tudo. O objetivo é reduzir o dano, proteger a dignidade, apoiar a calma e ajudar a pessoa a dar o próximo passo seguro.
Os 5 Princípios
Os 5 princípios dos primeiros socorros psicológicos não são uma sequência a seguir. São resultados a alcançar: o que uma boa ajuda deve produzir em alguém afetado por uma crise, sofrimento ou trauma. As ideias são segurança, calma, autoeficácia, conexão social e esperança, quer esteja numa catástrofe, numa escola, num local de trabalho ou em casa.
- Segurança
- Calma
- Autoeficácia
- Conexão social
- Esperança
Saiba mais sobre os 5 princípios dos primeiros socorros psicológicos, incluindo como se relacionam com os 3 passos, as 8 ações principais e situações reais.
Para uma aprendizagem estruturada, consulte a formação em primeiros socorros psicológicos e recursos e manuais em PDF de PSP, e exemplos práticos de PSP.